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| Quinta-feira, 09 de Setembro de 2010 |
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Quem é quem no mundo das finanças
Levantamento inédito da Análise Editorial apresenta quem é quem no comando das finanças das maiores companhias do Brasil
A pesquisa que lastreia este anuário é a mais ampla radiografia já realizada no Brasil sobre os responsáveis pelas finanças das grandes empresas, conhecidos internacionalmente como Chief Finance Officer ou, mais fácil, pela sigla CFO. No Brasil, a denominação mais frequente do cargo é diretor financeiro. Análise Diretores Financeiros apresenta 1.178 CFOs, encarregados de controlar o dinheiro das 1.600 maiores empresas em atividade no país. A diferença entre os números se explica pelo fato de que muitos CFOs cuidam de mais de uma empresa. Para dimensionar de forma ainda mais precisa a força deste time – bem como do poder da assinatura de seus integrantes – observe-se o dado a seguir. O faturamento líquido consolidado das 600 companhias cujos CFOs informaram todos os dados solicitados alcança quase 1,5 trilhão de reais – metade do PIB brasileiro. Com base na pesquisa, é possível criar um diretor financeiro imaginário. Ele é homem (92% dos entrevistados), brasileiro (90%), formado em administração, economia ou ciências contábeis, graduado no Brasil (91%) e bastante experiente (55% têm acima de 46 anos). Segundo os dados, 42% fizeram pós-graduação, 15%, mestrado e 41%, MBA. Apenas 3% fizeram doutorado e só 1%, pós-doutorado. O diretor financeiro tem uma lista extensa de atribuições básicas. Cabe a ele arbitrar as variáveis macroeconômicas que deverão interferir no resultado da companhia, como câmbio e taxa de juros, preparar e controlar o orçamento, desenvolver as estratégias de investimento, planejar os pagamentos, administrar o caixa e aplicar o excedente, negociar com fornecedores, bancos e investidores, zelar pelo pagamento dos impostos, monitorar as despesas e a contabilidade, estabelecer e cuidar dos controles internos para reduzir o risco de desperdícios e fraudes, entre outras tarefas de grande responsabilidade. A pesquisa realizada pela Análise Editorial mostra, contudo, que muitos CFOs têm sob seu comando outras atribuições não financeiras delegadas a eles pelo presidente da empresa. Do universo de executivos apresentados neste anuário, um em cada oito cuida, por exemplo, da comunicação da companhia, tanto externa quanto interna. Qual é a ligação natural que se pode estabelecer entre o CFO e o jornal mural, o site da companhia, a revista dos funcionários ou a assessoria de imprensa? Nenhuma, mas a missão caiu no colo de 12% dos entrevistados. Outra tarefa externa ao campo financeiro presente no cotidiano dos CFOs é cuidar do departamento de recursos humanos. De acordo com os dados, 29% dos diretores financeiros chefiam o RH. Como todas as empresas da amostra são grandes, o grosso concentrado nas faixas de faturamento mais altas, não se pode dizer que a concentração de tarefas nesta diretoria decorre da falta de estrutura. Uma explicação possível é a mais singela de todas: sempre foi assim e assim continua a ser. Pelo menos, por enquanto. Outra explicação é que o diretor financeiro exerce um papel informal de braço direito do presidente da empresa. Na hora de dividir as caixinhas do organograma, a sua fatia acaba sendo sobrecarregada. Uma indicação de que o CFO tem um papel destacado: 24% dos entrevistados integram o conselho de administração das empresas onde trabalham. Há um departamento nas empresas sobre o qual os CFOs exercem uma ação cada vez mais intensa, que é o jurídico, principalmente no ato da contratação dos escritórios de advocacia que vão patrocinar as causas da companhia. O departamento jurídico sempre deu a palavra final na contratação de escritórios. Goste-se da transformação ou não, em quase um quarto das companhias pesquisadas, a responsabilidade final sobre a contratação de advogados já cabe formalmente ao financeiro, porque o organograma da empresa colocou o jurídico sob seu comando. Na maioria das empresas não há esta subordinação. Mas, mesmo neste segundo grupo, são muitos os casos em que a área financeira participa da decisão pela via dos custos. Escritório de advocacia é um fornecedor e, como todo fornecedor, acaba sendo chamado a explicar seus preços. Infelizmente (para as empresas), o menor preço não garante vitória na Justiça nem os melhores acordos fora dela. Isso porque escritórios não vendem produtos comparáveis, mas serviços. O desafio dos contratadores, entre os quais o do CFO, é achar o escritório que ofereça a melhor relação preço-qualidade. Esperamos que o anuário Análise Diretores Financeiros esteja à altura de sua expectativa. Eduardo Oinegue |
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